Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 3ª Semana

REGIÃO EPISCOPAL SÃO JOSÉ
PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Gênesis – 3ª Semana
Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus!
Introdução – No folheto da 2ª Semana, estudamos o capítulo 3 do livro do Gênesis. É de bom alvitre recordar alguns pontos daquele capítulo já visto. Em primeiro lugar, o capítulo 3 do Gênesis foi escrito no tempo da Monarquia do Rei Salomão (970-931 a.C), para mostrar a realidade  do ser humano. Adão, aquele que é tirado da terra, e Eva, a mãe dos viventes, representam o ser humano que vive a ambiguidade: o pecado e a graça. Portanto, Adão e Eva são todo ser humano. O pecado deles, como o nosso, nos dias atuais, é o do orgulho de ser igual a Deus, querer ser seu próprio deus ou fabricar deuses à sua imagem e semelhança. E quando os olhos deles se abrem, constatam que estão nus, ou seja, desprotegidos e com medo diante de Deus.
          Mesmo no pecado e no afastamento, Deus não os rejeita, mas castiga a serpente, personificação do mal e que é mais tarde identificada com o demônio, satanás, o diabo, autor e princípio de todo o pecado. No futuro, a descendência humana vai esmagar a sua cabeça, uma referência a Jesus Cristo, que vence o demônio pela sua morte e ressurreição.
          O mal, portanto, não vem de Deus, mas do homem. Deus fez todas as coisas perfeitas, mas os humanos subvertem seu plano, pensam em conseguir a felicidade dando asas às suas paixões e interesses, virando as costas para Deus. Ou seja, o homem e a mulher comeram do fruto, isto é, deram livre curso à ganância e ao orgulho, tornando-se eles próprios o critério para decidir o que é bem e o que é mal. Medo, nudez e fuga são esconderijos quando as pessoas são lobos umas para as outras. E ninguém quer ser responsável por seus atos e manipulações. Adão culpa Eva, e Eva responsabiliza a serpente. Medo e acusação estão introjetados nas relações humanas. A serpente enganadora continua presente na nossa sociedade contemporânea, travestida nas pessoas orgulhosas, autossuficientes e soberbas. Também está presente nos sistemas governamentais, nas ideologias destruidoras dos valores, da moral e da ética. Se em Gn3 ela era uma serpente, no Apocalipse era o dragão que queria dominar tudo. É o que também acontece hoje.
          Tendo visto esta síntese de Gn 3, agora nesta 3ª Semana iremos ver Gênesis 4, 5 e 6.

Estudo do capítulo 4,1-26 (leia o texto)
Neste capítulo, vemos claramente o primeiro homicídio (Caim e Abel) e a genealogia de Caim, ou seja, o rompimento da fraternidade e a descendência de Caim.
Em primeiro lugar, é bom saber o significado dos nomes Caim e Abel. Caim em hebraico significa “procriei”, “lança”, “ferreiro”, representa o agricultor. Abel em hebraico significa, “pastagens” “névoa”, “vácuo”, “hálito passageiro”.Talvez se refira à vida muito breve de Abel. Abel representa o pastor. 
À narrativa de Caim e Abel segue-se a narrativa do pecado da humanidade e representa outro afastamento de Javé – o Senhor – por parte da humanidade. Aliás, é a primeira vez que aparece a palavra “pecado” na Bíblia (cf Gn 4,7).
          Antes de aprofundar esse capítulo, é bom que os nossos leitores saibam que um poema sumério do segundo milênio antes de Cristo fala da rivalidade entre Dumizi, deus pastor, e Arkidu, deus lavrador e, diferentemente do que acontece no relato bíblico, a deusa Inana prefere o lavrador. É provável que tanto o relato sumério quanto a adaptação que nos apresenta a Bíblia sejam um reflexo das dificuldades e lutas entre pastores – nômades – e agricultores sedentários.
          O centro desse relato não está, portanto, na simples relação conflituosa entre Caim e Abel. O que ocupa realmente a centralidade da narrativa é a descendência maldita de Caim, a origem das estruturas de poder que causam tanto mal e continuarão causando em nós, cristãos, até que sejamos capazes de acabar com elas. Caim que mata Abel é a representação daquilo que se passa hoje. O pecado está sempre à nossa porta, como uma ferida escondida que quer nos dominar. Você, que está estudando esse capítulo pode estar se perguntando:                                   
Em Gn. 4,17  diz-se que Caim se casou. Existia outro povo  além de Adão e Eva? Estudamos com profundidade os folhetos da 1ª e 2ª Semanas. Tenho explicado que a Bíblia não quer provar que a humanidade surgiu de um casal. Além disso, eu já afirmei também que os primeiros capítulos da Bíblia – Gn. 1-11 são uma mistura de várias tradições (época da Monarquia (970-931 a.C) com o reinado de  Salomão e no tempo dos sacerdotes (exílio da Babilônia 587 a 538 a.C), surgidas em tempos e lugares diferentes.  Se entendemos Adão e Eva como representantes de toda a humanidade, a dúvida sobre a mulher com quem Caim se casou desaparece.
          Em Gn. 4,17-26, vemos a genealogia de Caim, a descendência dele e a de set, o progresso e violência. Este texto apresenta o desenvolvimento da civilização, com suas bases culturais e tecnológicas. Surge o homem político (da polis – cidade; o homem artista e o homem artesão). A civilização, porém, nasce de Caim, autossuficiência e violência se multiplicam cada vez mais, gerando uma sociedade fundada na hostilidade e na competição. Neste contexto, surge também o homem religioso (Set e Enós), que busca reunir novamente aquilo que o homem autossuficiente divide e separa. Diz Gn 4,26 que nesse tempo {...} os homens começaram a invocar o nome do Senhor – Javé.    
Estudo Bíblico 5,1-32  (leia o texto)
São poucos os biblistas que gostam de comentar o capítulo 5 do Gênesis. Até hoje não entendemos por quê. Sabemos que todo o texto e contexto da Sagrada Escritura  são importantes. Pode ser o texto mais difícil,  ele terá sempre uma explicação.
          Neste capítulo, estamos diante das dez gerações antes do dilúvio. Chamamos também de descendência de Set e a lista dos patriarcas de Adão até Noé, os patriarcas anteriores ao dilúvio e lista dos descendentes de Adão.
          É importante que se diga que Gn.5, 1-32 não se deve tomar ao pé da letra. E preciso contextualizá-los, ligá-los ao plano divino de fidelidade –infidelidade a ele, de adesão ou não ao projeto de vida e justiça de Deus. Não se trata de personagens reais, que teriam semelhante longevidade. A quantidade de anos é um modo de quantificar a qualidade de vida, mas, acima de tudo, a consistência de adesão ou não ao plano divino.
          Observamos que na lista dos feitos dos patriarcas anteriores ao dilúvio há Henoc. Ele se destingue dos demais (Adão, Set, Enós, Cainã, Malaleel, Jared, Matusalém, Lamec) em algumas coisas: em primeiro lugar, sua vida é mais curta do que a dos demais, pois vive somente 365 anos, ao passo que Matusalém vive quase três vezes mais; todavia, o fato de viver somente 365 anos é muito significativo. Trata-se de um número perfeito, porque representa os dias de um ano solar completo, exatamente como nós costumamos contar os dias de um ano. Portanto, ao afirmar que vive 365 anos, a Bíblia está dizendo que Henoc viveu plenamente. Não se trata de uma quantidade de anos, mas uma qualidade de vida.
          Além disso, diz-se que Henoc “andou com Deus”, exatamente como Noé (Gn. 6,9). Como o profeta Elias, ele foi arrebatado (2Reis 2,11), ao contrário de todos os demais patriarcas de Gn. 5, cuja última ação é morrer, Henoc semelhante a Elias, são duas únicas pessoas arrebatadas em todo Antigo Testamento.
          Ainda em relação à idade na Bíblia, (A.T) principalmente nesse capítulo, o texto quer mostrar o seguinte: à medida que o mal cresce, o homem é menos feliz, ou seja, vive menos. Antes do dilúvio, vive-se de 700 a 1.000 anos; depois do dilúvio, de 200 a 600 anos (cf Gn. 11,10-26) a partir de Abraão, de 100 a 200  (cf. Gn. 23,1), mas tarde, de 70 a 80 anos (cf. Sl.90,10).

Estudo Bíblico 6,1-22 (leia o texto)
Neste capítulo veremos: tempos dos gigantes, as causas do dilúvio e a família do justo Noé que preserva a vida. Antes de tudo, é importante saber que esse capítulo 6 está inserido em um bloco maior, que é de Gn. 6,1-9,29 – chamado a narrativa do Dilúvio. Primeiramente, vamos comentar somente o capítulo 6.
          O relato de 6,1-8 mostra-nos o pecado dos homens. Ele fala de uma antiga crença na existência de uma raça especial de gigantes, que, de acordo com a lenda, seriam o produto da união dos “seres celestiais”, filhos de Deus, com as filhas dos seres humanos. A análise crítica da história diz que estes versículos põem em foco os comportamentos negativos que resultaram no aparecimento do mal no mundo. Este relato, patrimônio cultural de alguns antigos povos vizinhos de Israel, serve ao redator sagrado para descrever outro flagelo que o povo sofreu, as filhas da prostituição sagrada, prática muito comum em todo esse território do Oriente Próximo.
          No restante do capítulo, iremos ver as causas do dilúvio e a família do justo Noé. Logo de início, dizemos que a história do Dilúvio no Gênesis tem notável semelhança com os relatos mesopotâmicos mencionados na 2ª semana do nosso estudo. Aqui, em especial, a versão babilônica da epopeia de Guilgamesh.
          Na narrativa do dilúvio, a perspectiva é claramente universalista: a violência e a maldade estão por toda a terra. De onde vem este mal que se pode observar? O autor responde: “A maldade do homem era grande sobre a terra, e era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (Gn.6,15). O grande mal é interior: o coração do homem está corrompido. Essa narrativa do dilúvio descreve o homem de todos os tempos. Estamos “nos dias em que precedem o dilúvio: a corrupção, a violência estão por toda a terra. Um dia o fim virá, bem como uma nova ordem mundial. Nesse ínterim, poderemos querer permanecer fiéis a Deus como Noé, ou continuar no mal. Esse quadro descreve não só a história passada e a história atual, mas anuncia também o nosso futuro.
          Noé, o “homem justo, integro que andava com Deus” (Gn.6,9), que é salvo do dilúvio com sua família, é também uma prefiguração de Cristo, o qual, juntamente com os seus, será salvo do mundo atual para ingressar em uma nova criação. A arca de Noé é uma imagem da barca que é a Igreja, sacudida pelas águas que simbolizam  as forças malignas. Mas Cristo ordenará ao vento e ao mar e, um dia, far-se-á uma permanente calmaria (Mc 4,36-40). O símbolo do arco-íris, tanto no início como no fim da Bíblia, significa que, um dia, o dilúvio terá acontecido, ocasionando, assim, o fim do mundo atual, e que essa nova ordem do mundo será inaugurada, e a paz restabelecida. O mal terá chegado ao fim, porque uma nova ordem de valores chegou através de Jesus na implantação do Reino de Deus.
● Exercício
1.Faça uma síntese da 2ª Semana (Gn. 3)
2.Caim em hebraico significa _________________________
   Abel em hebraico significa__________________________
3.Qual o centro do relato de Caim e Abel?
4.Qual a explicação de Gn. 4,17?
5.Quais as tradições ou fontes nas quais estão inseridos os onze primeiros capítulos de Gênesis?
6.Qual o significado da genealogia de Caim?
7.Explique a questão da idade na Bíblia: (A.T)
8.Que explicação você dá para os “gigantes”? Gn. 6
9.Qual foi a causa do dilúvio? Gn. 6

●Textos Bíblicos do Gênesis que estão na Liturgia
6ª Semana  do Tempo Comum
2ª feira – Ano Impar Gênesis 4, 1-15.25
3ª feira – Ano Impar Gênesis 6,5-8




●REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO
● Bíblia de Jerusalém
● Storniolo,Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991
● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989 
●Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, Saão Paulo: Paulus 1984
●Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias , as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999
●Bright, Jonh., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000
●Pierre,Grelet., Homme qui es tu ? les onze premieres chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973
●Drolet, Gilles., Compredre L’ancien Testament, Canada 2006
●São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011
●Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica.
REVISÃO – Pe. Emílio César Porto Cabral – Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Messejana  e Mestre em Teologia Bíblica. 




 

                            


                

               
            

                   

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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