Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 6ª Semana

REGIÃO EPISCOPAL SÃO JOSÉ
PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

GÊNESIS – FOLHETO 6

INTRODUÇÃO – Estimados leitores do “Estudo Bíblico capítulo por capítulo”, que bom, depois de uma longa caminhada, conseguirmos estudar os onze primeiros capítulos do Livro do Gênesis.Durante essa caminhada, tivemos a oportunidade de constatar que o relato do Gênesis 1-11 é fruto de um longo processo histórico e recolhe histórias de várias gerações.

A redação final do livro do Gênesis aconteceu por volta dos anos 400 a.C. As histórias narradas nesse livro passaram por um longo processo, foram contadas, escritas, reescritas e relidas durante as diferentes etapas da história de Israel.

Esses mesmos relatos falam ao coração e procuram nos dar uma resposta sobre as origens e os mistérios da vida. É preciso conhecer bem a Sagrada Escritura do Primeiro Testamento e, junto com o povo judeu, encontrar nos textos respostas às nossas inquietações de hoje. Durante a caminhada de estudo do Gênesis 1-11, tivemos a oportunidade de ver que a autossuficiência, a violência e o dilúvio constituem tema central desses onze capítulos. Por isso, os mesmos capítulos foram um convite para refletir sobre a história de Israel e a sua compreensão das origens do universo e da humanidade. Jamais podemos olvidar que a história contada em Gênesis 1 a 11 é a introdução dos cinco livros que formam o Pentateuco para os cristãos, e, ao mesmo tempo, os cinco livros que formam a Torá – a Lei para a tradição judaica.

ESTUDO DO CAPÍTULO 12,1-20 (leia o texto)

Através deste capítulo, iniciaremos um bloco de estudos chamado de História Teológica das Origens do Povo da Aliança, ou seja, a origem do Povo

de Deus. A partir deste capítulo 12, até ao 25, é chamado, também, o ciclo de Abraão. Com a história de Abraão, de certa forma, é o início da história de todos os que creem, pois Abraão é o homem de fé.

Como vimos, nos onze capítulos anteriores, o pecado separa o homem do criador e, assim, Deus lançou o seu eterno plano para salvar a humanidade. Através dos exemplos de Adão e Eva, de Caim, da geração de Noé e no evento da Torre de Babel, percebemos que o ser humano pretendeu dirigir sua própria vida sem depender de Deus, porque essa rebeldia é inerente ao seu coração, depois da queda. Depois do pecado, o homem procurou fugir de Deus, e Deus sempre lhe oferecia oportunidade de reconciliação. A mensagem da misericórdia e a graça de Deus sempre foram levadas ao homem de uma forma ou de outra. Em outras palavras, mesmo sendo o homem pecador, Deus não desiste dele, porque o ama incondicionalmente. Este foi o plano divino. Isto é o que Deus resolveu fazer e o que veremos a partir deste capítulo 12 de Gênesis. Deus decidiu formar um povo. Ele usou Abraão para tal missão e, por meio desse povo, trazer Jesus, o Salvador do mundo. Abraão foi um instrumento importante nas mãos divinas. Três grandes religiões tiveram sua origem de alguma forma, em Abraão: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Deus apareceu a Abraão sete vezes, e em cada uma delas procurou desenvolver sua fé. Abraão não era perfeito e, como nós, teve fracassos e erros. Mas ele sempre levantava a cabeça e continuava fiel a Deus e a sua missão.

Ainda neste capítulo, iremos ver que a história de Abraão está diretamente ligada à história de toda a humanidade. Com ele, começa a surgir o embrião de um povo que terá a missão de trazer a bênção de Deus para todas as nações da terra. Esse povo será portador do projeto de Deus: toda nação que se orientar por esse projeto estará refazendo no homem a imagem e semelhança de Deus, desfigurada pelo pecado. O caminho começa pela fé: Abraão atende o chamado divino e aceita o risco sem restrições. Ele percorre rapidamente a futura terra prometida; isso mostra que o projeto do qual é portador é um projeto histórico, encarnado dentro da ambiguidade e conflitividade humana. O que Deus promete a Abraão é simplesmente aquilo que qualquer nômade desejava: terra para os rebanhos e filhos para cuidar deles. Em outras palavras, o que Deus promete é exatamente aquilo a que o homem aspira para responder às suas necessidades vitais.

Como vimos até aqui, com Abraão começa a história da formação de Israel, uma história magnífica. Logo nos versículos 1, 2 e 3, vemos o chamado

específico de Abraão. Apresenta a partida dele de Ur dos Caldeus para, em obediência, buscar, pela fé, a cidade “da qual Deus é arquiteto e edificador” (Hb 11,10). Esse é o chamado de Abraão, como um agente da graça redentora. Conforme o relato dos Atos dos Apóstolos 7,2-3, Deus já tinha chamado Abraão, estando ele ainda na Mesopotâmia, em Ur dos Caldeus, antes de morar em Harã. Abraão deveria deixar o local em que habitava, pois seus habitantes eram idólatras. Antigamente, seus pais, Tera, pai de Abraão e de Nacor, habitavam do outro lado do Eufrates e serviam outros deuses (Js 24,2). Aquele povo adorava o sol, a lua e as estrelas, e Abraão deveria sair daquela convivência e seguir em peregrinação para a terra que Deus lhe mostraria. Sobre o chamado de Abraão, devemos destacar ainda que ele estava sustentado na promessa divina que continha cinco elementos: a) de ti farei uma grande nação; b) te abençoarei; c) te engrandecerei o nome; d) abençoarei quem te abençoar e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e) em ti serão benditas todas as famílias da terra. Nos versículos de 4 a 9, encontramos algumas verdades fundamentais. Percebemos a prontidão de Abraão em obedecer a ordem divina. Ele obedeceu, fundamentado pela fé, e se tornou, assim, o pai e o modelo de todos os cristãos.

Nos versículos 4 e 5, encontramos novamente Ló, bem como os servos que havia adquirido em Harã, acompanhando Abraão. Nos versículos 6 e 7, são mencionados Siquém e o carvalho de Moré. Siquém era uma antiga cidade situada entre os montes Ebal e Gerezim, um importante centro político e religioso dos cananeus. Siquém ficou famosa porque ali, tempos mais tarde, os israelitas dirigidos por Moisés deveriam reunir-se para escolher entre a bênção e a maldição (Dt. 11,29-30). Também foi ali que Josué pronunciou sua última exortação ao povo de Israel (Js.24).

O carvalho de Moré, provavelmente, era uma grande árvore ou um pequeno bosque que servia de lugar de culto, talvez o “carvalho dos advinhadores”, que é mencionado em Juízes 9,37. Mas, mesmo sendo um lugar de adoração a falsos deuses, foi ali que Deus revelou sua gloriosa presença e, em demonstração de sua soberania, demarcou a terra que deu ao seu servo Abraão e a toda a sua descendência. É importante salientar que, embora fosse um centro idólatra cananeu, depois da promessa de Deus, que quis dar a sua descendência aquela terra, Abraão edificou-lhe um altar e lhe prestou culto, provavelmente em gratidão, consagrando a Deus aquela que seria conhecida como a terra prometida.

No versículo 8, encontramos a frase “armou sua tenda” que literalmente significa “indo sempre”, ou “caminhando e tirando as estacas”, mostrando a vida nômade do patriarca hebreu. Encontramos, ainda, nesse versículo 8, a palavra Betel, que em hebraico, significa “casa de Deus”. Betel era outro centro cananeu e ficava uns 15 quilômetros ao norte de Jerusalém. Foi em Betel que, séculos depois, no tempo da monarquia israelita, o reino do Norte ergueu um dos seus santuários. O texto bíblico diz que, em Betel, Abraão edificou um altar ao Senhor e invocou seu nome. Com essa atitude, em certo sentido, Abraão colocou de novo, e em definitivo, o nome do Senhor no centro da terra prometida.

No versículo 9, encontramos Abraão dirigindo-se ao Neguebe, na região desértica do sul da Palestina, como que tomando posse de toda a terra que Deus estava prometendo à sua descendência. Já nos versículos 10 a 20 encontramos uma situação muito delicada: as falhas de Abraão. Todas essas falhas porque Abraão queria proteger a si mesmo. É importante mostrar aqui quais foram seus erros: a) preocupou-se com a fome e não confiou na promessa divina de possuir Canaã (v.10); b) procurou uma solução humana e foi para o Egito sem que Deus lhe tivesse mandado (v.10); c) pensar, egoisticamente, em salvar a si mesmo (v.11); d) iludiu Sarai com palavras elogiosas (v.11-12); e) propõe que sua esposa mentisse em seu favor (v.13); f) expôs sua esposa a uma situação vexatória e pecaminosa (v.14); g) refugiou-se e usou erroneamente a beleza de Sarai, obtendo vantagem ilegítima (vv 15 e 16).

Esse é o nosso herói da fé! Como Abraão falhou! Na última vez em que Deus se manifestou a ele, prometeu que daria toda aquela terra à sua descendência. Mas, como estamos vendo, Abraão não creu, plenamente, na promessa divina e deu esses sete passos errados, distanciando-se do Senhor. Foi preciso, então, que Deus, por causa do pecado do patriarca, agisse com firmeza, revelando ao Faraó que Sarai era esposa de Abraão, e punisse com grandes pragas a casa do cobiçoso rei. O Faraó, aprendendo a lição, devolveu Sarai a Abraão. Passou-lhe uma descompostura e o mandou embora para outras terras com tudo o que possuía. Que situação! Tudo porque Abraão, o pai da fé, estava começando a andar com Deus pela fé.

Não é também o que acontece conosco? Quanto menos conhecemos a Deus, mais frágil é a nossa fé. Quanto mais andamos com Ele e o experimentamos, mais confiamos no seu poder, no seu amor, no seu caráter, que é santo.

Depois de tudo isso exposto, podemos chegar à conclusão de que os grandes heróis da Bíblia, assim como Abraão, foram pessoas de carne e osso, como nós, e muitas vezes falharam, pecaram, e se desviaram dos caminhos do Senhor. Mas, por terem perseverado e mantido a fé e o olhar no Senhor, obtiveram, da parte de Deus, a justificação, tornado-se, assim, modelos para todos os que crêem em Deus, de todas as épocas e de todos os lugares. É isso que nos faz continuar firmes. Deus conhece o nosso coração, Deus conhece as nossas motivações e é misericordioso.

Exercício

1. Na introdução deste folheto (6), fala-se da importância dos onze primeiros capítulos do Gênesis (1-11). Faça um resumo ou acrescente mais alguma coisa que você sabe sobre os capítulos 1-11.

2. Quais as grandes religiões que se originaram de Abraão?

3. Como se inicia a formação do povo de Israel?

4. Quais os elementos da promessa divina que sustentaram o chamado de Abraão?

5. Dentro do contexto de Gênesis 12, diga o significado desses termos:

a) Ciclo de Abraão __________________________________________________

b1) UR dos Caldeus ________________________________________________

b2) Que lugar é hoje? _______________________________________________

c) Siquém -_________________________________________________________

d) Carvalho de Moré - _______________________________________________

e) Ebal e Gerezim __________________________________________________

f) Betel ____________________________________________________________

g) Neguebe ________________________________________________________

6. Quais as virtudes e os erros de Abraão? _____________________________________________________________________________

7. Pesquise e explique por que os dois nomes Abrão – Abraão: ______________________________________________________________________________________________________________________

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

Bíblia de Jerusalém
Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991
Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989
Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, Saão Paulo: Paulus 1984
Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999
Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000
Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? les onze premieres chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973
Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canada 2006
São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011
Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica.

Mensagem

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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