Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 12ª Semana

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO

3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA

IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO

BÍBLICA E VIDA PASTORAL

ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

 

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

 

Gênesis 18,1-33 – Folheto 12

 

Introdução – Estimados alunos do Curso Bíblico, convidados especiais, colegas padres, leitores destes folhetos, apraz-nos perceber que cresce o número de pessoas interessadas na Teologia Bíblica e de padres que estão utilizando este material em suas paróquias.

 

Vocês que acompanham desde o início nossos estudos, podem perceber que estamos no ciclo de Abraão, iniciado no capítulo de Gn. 12, e que se estende até Gn. 25. No presente folheto, de nº 12, teremos a oportunidade de estudar Gn. 18, onde se encontram a teofonia de Mambré e Abraão como intercessor.

 

A liturgia do Ano C – 2016 nos privilegiou com dois domingos seguidos, 16º e 17º, com a leitura de Gênesis 18. No início do mesmo capítulo, apresenta-se de forma extraordinária, a visita de Deus a Abraão e Sara, para confirmar a promessa do nascimento de um filho (cf. 18,10; 17,15 -22). O cenário da história é o carvalho de Mambré, onde Abraão havia construído um altar para o Senhor (cf. 18,1; c. 13,18). Trata-se de um lugar sagrado, que caracteriza a presença divina entre os seres humanos. Por causa do forte calor, Abraão senta-se à porta da tenda, levanta os olhos e vê três homens de pé diante dele. Os peregrinos procuram abrigo do calor e um lugar para descansar. Abraão não sabe quem são os caminhantes, mas os trata com uma bondade particular. Os estudiosos da Bíblia dizem que um dos homens (ou anjos) é o próprio Deus. Muitos padres da Igreja viram aqui o anúncio do mistério da Trindade, cuja revelação é reservada ao NT.

 

Abraão vai correndo ao encontro dos caminhantes, prostra-se por terra e humildemente oferece hospitalidade. Abraão faz Sara amassar quase três medidas de farinha para fazer bolos, pães; manda preparar um bezerro e serve coalhada e leite na refeição. Ele oferece um verdadeiro banquete. Além do alimento, garantiu a hospedagem dos visitantes durante três dias, mesmo com sacrifícios. Como bom

 

anfitrião, Abraão serve os hóspedes. Sara não está presente, pois as mulheres não costumavam comer com os homens. Mas Sara está perto da tenda. A gratuidade de Abraão, manifestada aos mensageiros de Deus, é recompensada com um dom muito mais valioso: o anúncio do nascimento de um filho, tão longamente esperado. A promessa de Deus vai iluminando o patriarca, fazendo-o reconhecer a ação divina, que conduz a vida e a história humana.

 

Em continuidade ao estudo do capítulo Gn. 18, iremos ver, a partir dos versículos 16 a 33, a intercessão ou oração de Abraão. Este episódio segue imediatamente ao anterior, a aparição em Mambré. Abraão se entretém com os visitantes. Um deles é, na história, o próprio Deus, o Senhor. Então Abraão ficou sabendo que duas cidades pecadoras serão destruídas: Sodoma e Gomorra. Estas cidades, no relato, passaram a ser símbolos de tudo o que é errado e mal. Também são sinal do que é proibido. Elas simbolizam o que vai contra a vontade de Deus.

 

Abraão tenta salvar as cidades, lembrando que podem existir justos lá residindo. Deus, afinal, não destruiria os justos com os pecadores! E começa uma espécie de pechincha. Abraão pergunta se o Senhor destruiria as cidades, mesmo havendo nelas 50 justos. O Senhor responde que não. Depois, Abraão vai descendo: 45, 40, 30,20 justos. O Senhor vai destruir os 20 justos da mesma forma que os pecadores? A resposta é não (Gn. 18,31). Finalmente, uma última tentativa Gn. (18,32). Abraão sabia que seu sobrinho, Ló, estava em uma daquelas cidades. Ele pensa no sobrinho e nas pessoas justas que nelas habitavam. Ele é um intercessor. Vamos perceber, durante todo o estudo de Gênesis 18, que Abraão intercede pelos seus e até por quem não conhece. Ele é a bênção sobre todos os povos!

 

Estudo do Capítulo Gn. 18,1-33 (leia o texto)

 

Nos versículos de 1 a 15, temos o relato de uma visita especial que Abraão recebeu. Estava o patriarca, por volta do meio dia, no maior calor do dia, sentado à porta de sua tenda, quando levantou os olhos e viu três homens bem próximos de si. A sua pronta reação, de acordo com o costume da época, foi dirigir-se rapidamente aos visitantes e, inclinando-se, oferecer-lhes tudo o que era possível em termos de hospedagem. É interessante notarmos sete atitudes que Abraão teve e que servem de modelo para nós: 1) ele deu atenção imediata às necessidades dos hóspedes; 2) saudou, inclinando-se até o chão; 3) dirigiu-se a um deles tratando-o como “meu Senhor”, colocando-se numa postura de servo; 4) demonstrou que era um privilégio poder servir aos visitantes; 5) fez com que trouxessem água para lavarem os pés e os colocou à sombra de uma frondosa árvore; 6) providenciou que uma boa refeição fosse preparada e a serviu em seguida; 7) ficou perto dos

 

visitantes, em pé, como um servo, em atitude de prontidão para servir-lhes em suas necessidades.

 

De fato, essas atitudes foram exemplares. Elas demonstram o caráter de Abraão, que estava sendo forjado por Deus. Que possamos seguir esse exemplo de cortesia e gentileza! Os biblistas respondem à pergunta: Mas quem eram esses visitantes? Um deles, certamente, era o Senhor. Veja os versículos (1, 13, 17, 20,22 a 33). Os outros dois eram anjos, mensageiros divinos (Gn. 19.1). E qual era o propósito da visita? Essa visita tinha a finalidade de despertar e consolidar a fé de Sara, que seria participante ativa da promessa a ser cumprida.

 

Lendo novamente o versículo 9, vocês percebem que o foco da conversa não é mais Abraão, como tinha sido até o momento. A atenção agora se volta para Sara. Ela necessitava ser encorajada, ser estimulada em sua fé. É bom sabermos que, quando vacilamos em nossa fé, o próprio Senhor vem em nosso encontro para nos encorajar e nos estimular a fé. Sara precisava de uma palavra dirigida diretamente a ela. A reação que teve quando um dos anjos afirmou que dentro de um ano daria à luz um filho demonstrava que ainda não cria na promessa. Depois de rir da palavra divina, sua pergunta interior está no versículo 12. (façam a gentileza de ler).

 

Sobre esse evento, é necessário fazermos alguns esclarecimentos. Sara riu demonstrando incredulidade ou sorriu de alegria pela promessa que estava sendo reforçada? Alguns entendem que seu sorriso foi de alegria. Sara ficou feliz pela possibilidade de dar à luz e sorriu de contentamento. Mas outros entendem que ela continuou demonstrando a mesma incredulidade evidenciada quando ofereceu Agar a Abraão.

 

Outro detalhe precisa de esclarecimento é o significado da frase: “Terei ainda prazer?”. Alguns estudiosos da Bíblia entendem que Sara expressou uma frase sensual, demonstrando que o sexo no casamento deve ir além da procriação: deve proporcionar alegria e prazer para os cônjuges. Outros interpretam que o prazer se referia à boa notícia de que seria mãe. É possível perceber que Sara precisava possuir a confiança que Abraão já possuía. Ela deveria crer tanto quanto ele, pois dali a um ano a promessa se cumpriria, seria concretizada. Então, tornando-se claro que os anjos foram enviados nessa missão para estimular e consolidar a fé de Sara.

 

Nos versículos de 16 a 21, na segunda parte de Gênesis 18, encontramos os detalhes sobre o anúncio divino da destruição de duas cidades. É um episódio triste por um lado, mas significativo por outro, se tivermos por base a relação de Deus com Abraão.

 

Depois da ministração a Abraão e Sara, os visitantes, acompanhados por Abraão até certo ponto, seguiram em direção às cidades de Sodoma e Gomorra.

 

Nesse momento, o Senhor mesmo começou a se questionar se deveria esconder seus planos de Abraão. (Leia os versículos 17 e 18) Afinal, para Deus, Abraão tinha certos requisitos dados por Ele mesmo que deveriam ser considerados:

 

•Abraão viria a ser uma grande e poderosa nação.

 

•Abraão seria o instrumento pelo qual todas as nações da terra seriam abençoadas.

 

• Abraão tinha sido escolhido para que ele e seus descendentes guardassem o caminho do Senhor e praticassem a justiça e o juízo.

 

Ora, diante disso, as palavras divinas não deveriam ser ocultadas ou omitidas a Abraão, que, certamente, já era considerado amigo de Deus. Lendo os versículos 20 e 21, encontramos a expressão: “O clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado”. Deve ser entendido como o “brado contra elas ou o mal gritante do lugar”, porque todos os clamores da injustiça invocam a atenção de Deus, o juiz de toda a terra, como Ele é chamado no versículo 25. Mas, por que aconteceria essa destruição? Porque, apesar da misericórdia divina demonstrada a Sodoma e Gomorra, através da libertação proporcionada por Abraão, que os tirou do domínio alheio, as duas cidades não se arrependeram de seus pecados e suas contínuas injustiças subiram à presença de Deus. Por isso, por terem injustiças, os maus atos e os pecados de Sodoma e Gomorra chegaram à presença de Deus, por estarem ou serem ultrapassados os limites da misericórdia divina; Deus, que é juiz de toda a terra, veio para julgar aqueles povos.

 

Nos versículos de 22 a 33, temos um desses relatos mais impressionantes de toda a Bíblia, demonstrando que podemos ser abertos e nos relacionar com respeito, mas com total liberdade com o nosso Deus. Podemos confirmar essa condição nos Salmos que nos revelam os salmistas, rasgando seu coração diante do Senhor. Aqui temos um exemplo maravilhoso de como Deus atende às nossas orações, quando nossa motivação é a glória Dele mesmo. Vejamos detalhadamente, os fatos. Depois que os anjos foram para as duas cidades, para ver o que lá acontecia, Abraão ficou ainda na presença do Senhor (leia o versículo 22). Esse é um detalhe importante que deve ser ressaltado. Necessitamos estar constantemente na presença de Deus. Quando o buscamos, ele se deixa achar.

 

Abraão inicia, então, uma intercessão e um processo de argumentação singular em toda a Bíblia, nos versículos de 23 a 33 (leia-os novamente). Esse é um texto que nos impressiona. Dessa normativa, podemos extrair sete atitudes de Abraão:

 

• A preocupação com os outros e não consigo mesmo.

 

•Total transparência de sentimentos diante de Deus.

 

•A ousadia de falar com Deus daquela maneira.

 

•O amor ao preocupar-se com os justos de Sodoma e Gomorra.

 

•A preocupação com a sobrevivência de Ló e de sua família.

 

•A preocupação com a justiça divina.

 

•A preocupação em perceber a extensão do amor de Deus.

 

Por outro lado, vemos também sete atitudes do Senhor para com Abraão:

 

•Permitiu que Abraão fosse transparente, dando-lhe liberdade.

 

•Permitiu que Abraão ficasse em Sua presença.

 

•Permitiu que Abraão questionasse Sua justiça.

 

•Permitiu que Abraão questionasse Seu amor.

 

• Foi paciente com Abraão, permitindo-lhe expressar seus questionamentos.

 

• Foi generoso, permitindo Abraão insistir por várias vezes.

 

• Demonstrou que Sua justiça é justa e Seu amor não tem limites!

 

Com certeza, as atitudes que Deus teve para com Abraão, tem também para conosco. O nosso Deus é o mesmo ontem, hoje e o será amanhã.

 

Nesse texto, ainda temos Deus ensinado sobre prudência.

 

A prudência divina é um modelo para nossos relacionamentos. Deus não tem pressa de punir o pecador, em destruir um povo ou uma cidade cujo clamor chegou até o céu. O Senhor é benigno, misericordioso, paciente e justo. Se o limite permitido por Deus ainda não foi ultrapassado, há toda a possibilidade de arrependimento.

 

Esse é o nosso Deus! O Deus de Abraão, Isaac e Jacó. O Deus dos reis e profetas. O Deus de Jesus Cristo. Devemos tratar dessa mesma maneira os nossos irmãos. Devemos nos apropriar da paciência, do amor e da misericórdia divina.

 

EXERCICIO

 

1 Qual a opinião dos biblistas em relação aos três visitantes que dialogam com Abraão? Quem são eles?

 

2 Qual a opinião dos padres da Igreja em relação a esses visitantes?

 

3 Por que Sara não fez a refeição junto aos visitantes?

 

4 O que Abraão recebe de Deus pela sua gratuidade e acolhimento aos visitantes?

 

5 Qual o significado das cidades pecadoras: Sodoma e Gomorra?

 

6 Cite as sete atitudes de Abraão para com os hóspedes.

 

7 Qual o significado do sorriso de Sara?

 

8 Qual o significado da frase : “Tenho ainda prazer?”

 

9 De acordo com os versículos de 23 a 33, cite as sete atitudes de Abraão. E as sete atitudes de Deus para com Abraão

 

10 Nos versículos de 23 a 33, o que eles nos ensinam sobre a providência?

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

 

● Bíblia de Jerusalém

 

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

 

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota: EUA - 1989

 

●Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

 

●Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

 

●Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

 

●Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris; Cerf 1973.

 

●Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canadá 2006

 

●São Gerônimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

 

●Anotações do Pe. Neto

 

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica pela UNION THEOLOGICAL SEMINARY, Nova York– E.U. A- 1993 e pelo CENTRO BÍBLICO VERBO DIVINO – São Paulo – 2007 -2008.

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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