Paróquia de São Vicente de Paulo

Segundo Domingo do Advento - 2015


Conta-se no evangelho de hoje (Lc. 3,1-6), o inicio da natividade profética de João Batista, o último dos grandes profetas do Antigo Testamento e o primeiro do Novo. Por um lado, o evangelista Lucas segue o estilo do Antigo Testamento, ligando a pregação do profeta a um dado histórico. Por outro, parece que Lucas previa que estava escrevendo para o mundo, abrangendo todos os tempos; dá o momento preciso da História, o ambiente histórico e geográfico e o contexto religioso. Vejamos quem são s personagens que marcam a data do começo da pregação do precursor de Jesus. Tibério (César) era filho adotivo do imperador (César) Augusto (que governava o Império Romano quando Jesus nasceu: Cf. Lc. 2,1). Sucedeu a Augusto, no ano 14 (a.C.) tinha o poder nas mãos, porque Augusto estava doente. Pôncio Pilatos foi procurador a Judéia e Samaria de 26 a 36 (a.C.). Teve parte ainda na morte de Jesus> Foi destituído. Há muitas lendas em toro de sua morte.

Herodes Antipas era o filho mais moço de Herodes Magno; tinha o título de Tetrarca e o povo o chamava rei. Foi ele quem mandou matar João Batista e zombar de Jesus na Paixão. Felipe também era filho de Herodes Magno. Lisânias, pouco conhecido governou Abilene, um território que hoje seria parte do Líbano, entre os anos 14 e 29 (a.C.). Anás foi Sumo Sacerdote de seis a15 (a.C) e estava no interrogatório de Jesus. Provavelmente, Jesus nasceu 6 a 7 anos do chamado ao 1 da era cristã. Por isso, no 15º ano do reinado de Tibério César (aos 26/27) (a.C), Jesus tinha cerca de 30 anos (Cf. Lc. 3,23).

Descrito o contexto histórico geográfico, o evangelista Lucas pinta como uma única expressão, a figura de João: recebeu de Deus a palavra, isto é, foi por Deus tornado profeta. Ninguém é profeta por escolha pessoal, como é o médico ou um arquiteto. A vocação vem de Deus. De Deus também é o ensinamento que o profeta deve transmitir. O evangelho diz que a palavra de Deus veio sobre João “o deserto”.

É o deserto de Judá, não formado de areias , mas de montanhas calcárias onde, se chover, pode crescer vegetação. Esse deserto era habitado, nos tempos de Jesus, por algumas centenas de monges, chamados essênios. Viviam no deserto, para “preparar a vinda do Senhor”, através da penitência e da santificação pessoal. Esperam um Messias político, que retomasse a liberdade nacional, o culto no templo, a compreensão das escrituras e o predomínio de Israel sobre os povos.

A figura de João Batista é colocada a liturgia do Advento para lembrar a proximidade da chegada do Senhor. Está próxima sua manifestação entre o povo. Ele não virá apenas como redentor temporário, político, mas virá como “salvação de Deus”, que ultrapassa a geografia, a história e o tempo, supera todos os impecilhos e dificuldades: é uma salvação definitiva, eterna, para sempre. Neste domingo do convite à conversão, João Batista clama no deserto, convidado todos para que se convertam e preparem o coração para a chegada do Messias. Claro que essa conversão não se dá do dia para a noite. Ela é um processo contínuo em nossa vida. A conversão na linguagem bíblica e cristã é um trabalho contínuo de toda existência, tarefa silenciosa de cada dia. Nunca estaremos suficientemente convertidos, porque o amor não tem fim de meta. A meta está sempre além. Muitas pessoas perguntam: Mas, se converter de quê? E nós respondemos: Do pecado profundo que faz ninho em nosso coração e tem múltiplas manifestações: egoísmo, soberba, agressividade, violência, luxúria etc. Que as palavras de João Batista possam despertar nossa vida com a mudança que Deus quer de nós. Preparemos, com alegria e esperança, a festa do nascimento de Jesus.

Pe. Raimundo Neto
Pároco de São Vicente

Mensagem

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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